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05/09/2013 -

Licenciatura em Computação do Câmpus Santo Augusto forma 5 alunos especiais




O Instituto Federal Farroupilha - Câmpus Santo Augusto realizou no dia 31 de agosto a solenidade de formatura da 4ª Turma do Curso Superior de Licenciatura em Computação. A turma, composta por 16 formandos, surpreende a todos pelo afeto e união, cada um com suas particularidades, dentre os quais estão 3 alunos com necessidades educacionais especiais: Anaiê Liberato da Conceição, Paulo Rotilli, Tatiana Fagundes, e os dois alunos mais velhos da instituição: Armando Geraldo Fagundes e Antônia Fagundes. 
A formanda Anaiê Liberato da Conceição, 28 anos, é a 1ª surda Licenciada em Computação no Brasil. Era uma criança que brincava normalmente, mas não se comunicava formalmente. Alfabetizou-se aos 13 anos em Libras, quando sua família decidiu mudar-se de Santo Augusto para Goiás, onde estudou até o Ensino Médio. Aos 22 anos retornou a Santo Augusto e ingressou no 2º semestre de 2008, na 1ª Turma de Licenciatura em Computação, do Câmpus Santo Augusto, tornando-se a primeira aluna surda da instituição. 
Anaiê teve muitas dificuldades no inicio do curso, por ser a única surda e não conhecer ninguém. “Meus colegas e professores eram ouvintes, não conseguíamos nos comunicar, não havia intérprete, mas aos poucos fui conquistando meu espaço, lutando, persistindo sempre para não desistir do curso e hoje sinto saudades dos amigos, colegas e de todos os profissionais que atuaram na Licenciatura em Computação, aproveitando agradeço a todos.”
Paulo Rotilli, 47 anos, pai de dois filhos, Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal de Santa Maria-UFSM, 2ª graduação Licenciatura em Computação. Ainda na UFSM, em 1989, descobriu um tumor no cerebelo “neurinoma do acústico”, que acarretou grandes dificuldades de locomoção, audição, fala e visão. Passou por vários tratamentos e cirurgias, até que em 2003 foi operado na Alemanha, onde retiraram todo o tumor. Desde 2004, mora com os pais.
Paulo também ingressou na Licenciatura, em Computação no 2º semestre de 2008, na 1ª Turma, buscando um novo sentido para a sua vida, tentando superar as muitas sequelas que o câncer lhe deixou. “O curso significou em minha vida uma nova oportunidade. No início gostava mais da convivência em sala de aula, e no transporte. Depois passei a gostar de tudo, principalmente estagiar com os alunos da APAE e com as alunas do Mulheres Mil. O Câmpus Santo Augusto foi a primeira instituição que teve preocupação comigo, fui incluído aqui como em nenhum outro lugar.” 
Tatiana Fagundes, 30 anos, filha única, adotada com um ano e meio pelos pais Antônia e Armando, possui transtorno neurológico com déficit de aprendizado, necessitando de tempo diferenciado e uso de atividades adaptadas. Iniciou seu processo de alfabetização em Santo Ângelo, onde completou o Ensino Fundamental, sendo muito excluída e discriminada. Aos 16 anos Tatiana e sua família mudaram-se para Chiapetta, onde concluiu o Ensino Médio. Ficou sem estudar durante seis anos. Ingressou na Licenciatura em Computação no 1º semestre de 2009, juntamente com seu pai, Armando Fagundes, 70 anos. 
Tatiana decidiu cursar Licenciatura em Computação buscando ser uma programadora, que era seu sonho. “A Licenciatura em Computação foi uma experiência boa, gostei muito! Pretendo continuar estudando e se possível cursar veterinária.”
No 2º semestre de 2009, a mãe de Tatiana, Antônia Fagundes, 62 anos, prestou vestibular e também ingressou como aluna do curso de Licenciatura em Computação, com a intensão de auxiliar e incentivar a filha e o marido. Para Antônia, o mais importante do curso foi “aprender a conviver com diversas pessoas de idades diferentes, percebendo que a inclusão existe e que as pessoas são valorizadas como elas são”. 
A idade não impediu Armando e sua esposa Antônia de voltar a estudar e acompanhar a filha. Ele também foi adotado, seus pais faleceram quando ainda era adolescente. Armando afirma que, nesses quatro anos de curso, ele e a família fizeram novas amizades, ampliaram seus conhecimentos e foram tratados com respeito, sem exclusão. “No decorrer do curso queria que passasse rápido, mas agora já estou sentindo saudades dos professores, dos colegas e demais profissionais da instituição.”
O Curso de Licenciatura em Computação desde o início tem buscado incluir os alunos com deficiência, já tendo formado na 3ª Turma um aluno com baixa visão, agora na 4ª Turma formou 5 alunos  especiais. Atualmente estão matriculados no curso dois alunos deficientes visuais, um com baixa visão e outro totalmente cego, os quais estão recebendo do NAPNE (Núcleo de Apoio a Pessoas com Necessidades Especiais) todo o apoio necessário para seu acesso e permanência nesta instituição de ensino.
 
 
Fonte: Carla Maron
Jornalista do Instituto Federal Farroupilha - Câmpus Santo Augusto
Postado por Fernando Almeida
 

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