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20/02/2018 - 15:04:40
Postado por: ED Júnior

Prefeituras podem decretar calamidade em função de crise no leite




Impactados pela desvalorização do seu principal produto, municípios gaúchos que têm a pecuária leiteira como base econômica estudam decretar estado de calamidade pública. O motivo são os reflexos que a perda de receita dos produtores tem ocasionado na economia local e, inclusive, nas finanças das prefeituras. A esperança é de que o decreto fortaleça as reivindicações do setor junto à União e ao Estado, de intervenção governamental no mercado. Segundo a Emater, o preço médio do litro hoje é de R$ 0,92. Há um ano, estava em R$ 1,18.

 

Após reunir-se na última sexta-feira, com o conselho agropecuário do município, o prefeito de Tiradentes do Sul, Alceu Diel, decidiu que irá assinar o decreto ao longo desta semana. Além do preço baixo, ele alega que empresas deixaram de pagar os produtores, o que agravou o quadro. Para ele, “com o preço que está, os agricultores não conseguem sobreviver”. Alceu Diel alega ainda que o município está há dois anos com a mesma receita, enquanto enfrenta aumento de preços dos combustíveis e da energia elétrica.

 

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar – Sintraf de Tiradentes do Sul, Cleonice Back, acredita que o decreto possa ser um instrumento que auxilie na busca pela renegociação de financiamentos de produtores que estão sem condições de pagar dívidas. De acordo com ela, pelo menos 25% dos agricultores familiares que trabalhavam com a produção de leite, deixaram a atividade nos últimos anos, restando ainda cerca de 500 produtores na cadeia produtiva. Cleonice ainda revelou que R$ 5 milhões deixaram de circular na economia de Tiradentes do Sul em função da redução nos preços praticados ao produtor.

 

No Vale do Taquari, uma das principais bacias leiteiras do Estado, o instrumento a ser utilizado pelos prefeitos deve ser uma moção pública. O presidente da Associação dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais da Regional, Marcos Antônio Henrichsen, afirma que esta foi a solução jurídica encontrada pelas entidades do setor. De acordo com ele, produtores relataram terem recebido até R$ 0,67 por litro. A pauta inclui prorrogação de dívidas e criação de uma linha de crédito emergencial.

 

Rádio Alto Uruguai - com informações do Correio do Povo / Foto: Emater (Arquivo)

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