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12/03/2019 - 19:56:18
Postado por: Maira Kempf

Caso Bernardo: segundo dia de julgamento marcado pelo depoimento de seis testemunhas




Dia de bastante comoção na sala do júri!

A tarde desta terça-feira, 12, segundo dia do julgamento do Caso Bernardo, foi marcada pelos últimos dois depoimentos de testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público – Ariane Silva Ceollin Schmitt (psicóloga que atendeu Bernardo) e Andressa Wagner (ex-secretária de Leandro), e pelo início da segunda fase do julgamento, com o depoimento das testemunhas de defesa de Leandro Boldrini: Lore Heller (que foi babá de Bernardo), Marlise Cecília Henz (técnica de enfermagem que trabalhou com o réu Leandro Boldrini no hospital) e Rosângela Andreia Pinheiro, que trabalhou no mesmo hospital que Boldrini. Na parte da manhã, foi ouvida Juçara Petry, a quem Bernardo adotou como mãe.
 
Depois do intervalo para almoço, por volta das 13 horas, recomeçaram os trabalhos do julgamento. A segunda testemunha do dia, quarta a prestar depoimento pela acusação, foi Ariane Silva Ceollin Schmitt, psicóloga que atendeu Bernardo em 2011, logo após a morte de Odilaine Uglione, mãe do menino, e em 2014. Ariane falou sem a presença dos réus por quase duas horas. Durante sua fala, destacou que Bernardo era uma criança sensível, carente de afeto e afirmou que a criança vivia em péssimas condições físicas e emocionais. Ela complementou dizendo que “A morte de Bernardo não aconteceu em 4 de abril de 2014, ele teve a infância abortada. A morte foi lenta, gradual e contínua”.  


Ela ainda disse que Leandro Boldrini era um pai "tangencial, periférico, sem vínculo e empatia".  O Ministério Público transmitiu dois vídeos em que Bernardo é provocado pelo pai e reage com agressividade, sobre isso ela disse: “Que pai gravaria um filho numa situação assim, sendo provocado? Um pai chamaria o filho para largar a faca, dar um abraço e querer filmar o filho sorrindo.  Bernardo não era assim. Bernardo foi muito pouco feliz”, “ele era “exposto à extrema irritabilidade”, disse.


Advogados que acompanham o júri informaram à reportagem que os dois depoimentos - Juçara e Ariane - comprometem muito a situação do réu Leandro. “Juçara disse que Bernardo tinha muita carência por parte do pai e a psicóloga veio para dar mais robustez a tudo o que já foi dito”.
A ex-secretaria de Leandro Boldrini, Andressa Wagner, foi a terceira testemunha a depor hoje, ela começou a falar pouco antes das 15 horas. Solicitou que não fosse filmada ou fotografada, mas aceitou depor na presença dos réus, que foram reconduzidos ao plenário. A testemunha foi arrolada pela acusação e pela defesa.

A ex-secretária confirmou que Graciele Ugulini chegou a afirmar “não aguento mais o Bernardo, tenho que dar um fim ”se referindo à vítima. “Ela falou que dinheiro tinha para dar um fim no guri”  respondeu Andressa ao Ministério Público (MP), sobre suposta fala da madrasta de Bernardo antes do crime. A ex-secretária confirmou que Graciele se referia a Bernardo como “estorvo” e disse que Leandro era muito dedicado à sua profissão. 

Ela negou que Bernardo não tivesse roupas adequadas, como foi descrito por outras testemunhas. Disse que o menino andava com boas vestimentas, calçados e portava chave com controle da residência. Quando o Ministério Público apresentou assinaturas de Boldrini para que Andressa dissesse se eram do médico ou não, ela não soube precisar e respondeu que “ele variava muito nas assinaturas”.

Às 16h30min iniciou a nova fase do julgamento, quando as testemunhas de defesa começaram a ser questionadas em plenário.  A juíza seguiu sendo a primeira a encaminhar perguntas, mas o MP passou a fazer seus questionamentos depois dos advogados dos réus.
A primeira testemunha de defesa foi Lore Heller, babá de Bernardo e não autorizou a exibição de imagem. Ela disse que não teve convívio com Graciele, que trabalhou na residência na época de Odilaine. Que Leandro trabalhava muito, mas que “era um pai carinhoso”. Quando questionada sobre a sexta-feira antes da morte de Bernardo (data em que Bernardo iria posar na sua casa), ela informou que “ele (Bernardo) me ligou e disse que tinha um compromisso e não poderia ir lá em casa, mas que no sábado era para eu ir buscar ele. No sábado de manhã liguei para ele e não atendia, e de tarde fui lá na casa dele, e a Graciele me atendeu e disse que o Be tinha saído e não tinha chegado ainda”. Questionada pela defesa de Leandro, ela afirmou que no domingo Leandro ligou para ela, para saber se o Be estava em sua casa, que ele estava preocupado. Em seguida, por estar bastante emocionada e com problemas de saúde, a testemunha foi liberada pela magistrada. 


Marlise Cecília Henz, técnica de enfermagem que trabalhou com o réu Leandro Boldrini no hospital e na clínica prestou depoimento em seguida. Foi essa testemunha que diz ter notado a falta de medicamento midazolan no armário. Ela afirmou que Graciele costumava se vestir muito bem, que era vaidosa, que a madrasta não tinha boa relação com o enteado. Quando questionada sobre como procedeu ao perceber que havia faltado medicamento midazolan na sala, ela alegou ter informado a situação à Graciele, que teria dito “então temos que por um cadeado na sala”. 

Durante sua fala, disse que não acreditava no envolvimento de Leandro no crime, momento e que o MP apresentou um vídeo em que há uma briga e gritos de socorro de Bernardo.  Após a apresentação do material, ela reafirmou que nao acredita no envolvimento de Leandro no homicídio.  Graciele e Boldrini não esboçaram reação durante a exibição do vídeo. O depoimento terminou por volta das 18h10min. 
A última testemunha a falar foi a auxiliar de escritório Rosângela Andreia Pinheiro, que, na época, trabalhava no hospital com o réu Leandro Boldrini. Seu depoimento durou poucos minutos e não acrescentou nenhuma novidade ao caso.
Pouco depois das 18h30min, a Juíza decidiu encerrar os trabalhados desta terça-feira. Às seis testemunhas de defesa restantes prestarão depoimento nesta quarta-feira, 13, a partir das 09 horas. A expectativa é de que as sentenças sejam proferidas na sexta-feira, 15.

 

O júri 

Estão sendo julgados no Fórum de Três Passos  os quatro acusados de assassinar o menino Bernardo Boldrini, morto há quase cinco anos. O pai, Leandro Boldrini, e a madrasta, Graciele Ugulini, foram presos pelo crime, assim como Edelvânia e Evandro Wirganovicz — eles respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

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