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13/03/2019 - 16:31:01
Postado por: Redação

Caso Bernardo: Leandro Boldrini nega participação em morte do filho e acusa madrasta




Após mais de três horas de depoimento, ele concluiu afirmando que é inocente e não teve nenhuma participação no crime

Às 15 horas desta quarta-feira, 13, quase cinco anos após a morte de Bernardo Boldrini – morto em abril de 2014 em Frederico Westphalen - iniciou nova fase do julgamento que teve início na última segunda-feira. Os réus começaram a falar ao júri.
 O primeiro a falar foi Leandro Boldrini, 43 anos. O médico e pai da vítima, ao ser informado pela magistrada Sucilene Engler de que poderia permanecer em silêncio, disse: “faço questão de falar, vossa excelência”.
Pela denúncia, lida em plenário, Leandro Boldrini é acusado de homicídio quadruplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Bernardo foi morto por ingerir via oral e intravenosa midazolan, sobre a desculpa de que seria para evitar enjoos. O medicamento teria sido dado ao menino pela madrasta, Graciele Ugulini.
Após a leitura, o réu foi questionado se os fatos da denúncia são verdadeiros, e disse: “de minha parte não são verdadeiros”, “nego veementemente”.

A família


Com Graciele, disse que tinha uma relação de respeito, amor e confiança. O relacionamento iniciou em 2010, logo após a Páscoa, após o suicídio de Odilaine, mãe de Bernardo.  “Quando Graciele entrou no núcleo familiar, ela foi bem recebida”.
Com Bernardo, tinha relação de pai, buscava educa-lo, mas, quando interrogado sobre o menino viver “meio largado”, concordou justificando o fato pela sua profissão, “era um pai mais provedor, do que presente”. Por ter uma profissão que lhe exigia muito, uma babá cuidava a criança após a morte da mãe, relatou. 
Sobre o fato de Bernardo viver constantemente na casa de amigos, alegou que “Bernardo gostava muito dos seus colegas e estudou com eles no colégio Ipiranga desde o início, por isso vivia muito tempo na casa das pessoas”. 

Morte de Bernardo


 - Na sexta-feira, depois que eu cheguei do hospital, em torno das 20h30min, ela (Graciele) me disse que o Bernardo tinha ido posar na casa do Lucas (colega de escola). No sábado não me preocupei, pois achei que estava brincando com Lucas. No sábado à noite fomos em uma festa em Três de Maio, e no domingo à tardinha fui procurar ele. À noite fiz o registro na polícia. Questionado sobre a reação de Graciele enquanto ele procurava por Bernardo, disse: “normal como essa água é cristalina”, se referindo a um copo de água que estava sobre a mesa à sua frente. 
Graciele teria informado apenas que levou Bernardo para Frederico Westphalen naquele dia para ele não atrapalhar o sono da Maria Valentina.  Almoçamos juntos, e parecia tudo muito bem, relação afetuosa, “fiquei feliz, pois pensei: eles devem estar se acertando”.
Falou que tomou conhecimento da morte do filho no dia 14 de abril, na Delegacia Regional de Polícia Civil de Três Passos, quando foi algemado. Posterior, pediu para falar com Graciele, e dentro da delegacia ouviu dela:  - Sim, estou envolvida, eu matei o Bernardo.

“Vocês vão ver quem é que assinou meu filho, e eu digo para vocês quem foi: foi a Graciele e foi a Edelvânia”, acusou Boldrini.

 

Vídeos

Sobre os vídeos onde aparece gravando Bernardo em situações de extrema irritabilidade, Leandro disse: "A Graciele disse 'tem que gravar, tem que gravar'. Então, apertei o botão e gravei. Minha intenção era mostrar para o psiquiatra".

Bernardo procurou o fórum

Meses antes de ser assassinado, Bernardo procurou o Fórum de Três Passsos para relatar a situação difícil que estava enfrentando em sua casa. Neste dia, segundo testemunhas contaram em plenário, Graciele recebeu a notícia da atitude do menino, e reagiu com agressividade. Questionado, ele pausa e responde: “Foi de desgosto pela situação ter chegado no judiciário”.
Disse que após esse episódio houve uma audiência de reconciliação entre ele e Bernardo com membros do judiciário, e que ambos haviam feito alguns acordos para melhorar a relação familiar. 

 

Relação com Edelvânia

Quando perguntado se conhecia Edelvânia, Leandro afirmou que pessoalmente não, mas que Kelly havia comentado que ela seria a madrinha de batismo da filha do casal, Maria Valentina. Nesse momento, a juíza o questionou, dizendo: - O senhor era católico, ia batizar sua filha (onde Edelvânia seria madrinha), mas não foi na eucaristia do seu filho. Leandro então lembrou aos jurados que o Bernardo teria contado sobre a comunhão apenas na sexta-feira anterior e que a família já tinha um compromisso para aquele dia (um casamento em Santo Ângelo), mas que ele e a Graciele haviam deixado tudo encaminhado para um conhecido acompanhar o Be na igreja, inclusive, haviam separado uma roupa adequada para ele. Concluiu dizendo que a amiga Juçara Petry contou a história diferente porque era a ótica dela. Juçara depôs na terça-feira e afirmou que acompanhou Bernardo na igreja e comprou uma vestimenta para ele, visto que o menino estava triste e iria desistir da comunhão. A família de amigos ainda teria preparado um almoço para comemorar  com a criança. 

Reações


Chamou atenção o modo frio como Leandro agiu enquanto era interrogado. Em nenhum momento esboçou reações emocionais ao falar do filho, como choro, por exemplo.  Os demais réus não estavam no salão do júri. 

Pedido de Anulação


Diante da insistência do Ministério Público e por Leandro não estar conseguindo responder com convicção algumas perguntas, sua defesa o orientou para que ele ficasse em silêncio, mesmo assim, a promotoria seguiu com as perguntas. Leandro não respondeu.  A defesa então consignou o pedido de anulação, com isso, ao final do Júri, a juíza pode decidir sobre o pedido. 
Houve violação do direito de permanecer em silêncio. Em tese, como o MP seguiu fazendo as perguntas, mesmo não respondendo, o réu foi prejudicado, haja vista que os jurados podem entender que ele permaneceu em silêncio por ser culpado, explicou o advogado de Leandro. 

"Vou me reerguer"

Três horas e trinta minutos depois do início, às 18h39min Leandro disse “tudo vai ser reconstruído, essa dor eu vou carregar para o resto da minha vida. [...]  Afirmou que a primeira coisa que vai fazer após tirar as algemas é ir em Santa Maria e rezar por Bernardo. Viver o luto, abraçar minha filha, viver com minha família. Podem escrever, eu vou me reerguer aqui em Três Passos. - Espero a justiça vossa excelência!”.

Segue nesta quinta-feira

 Amanhã, às 09 horas, serão retomados os trabalhos com o depoimento de Graciele Ugulini, acusada de matar Bernardo.  De acordo com a juíza amanhã serão concluídos os interrogatórios dos réus e iniciados os debates. Previsão é de que os trabalhos se estendam até meia noite nesta quinta e que o resultado seja proferido na sexta-feira a tarde.

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