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Erosão, você sabe o que é?

2 de agosto de 2019


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Erosão, você sabe o que é?

Cristiano Nunes dos Santos

Professor do IFFar – Campus Santo Augusto

Ocasionalmente, quando falo sobre erosão nas aulas de Solos, algum estudante questiona se ainda existe mais erosão, pois o plantio direto resolveu o problema.

Tenho certeza que vários dos leitores também pensam desta maneira. Uma vez que o plantio direto deixa restos culturais sobre o solo, estará protegendo o mesmo da chuva, e o problema da erosão está resolvido.

Infelizmente essa afirmação não é totalmente verdadeira.

A erosão é um processo natural e que pode ser de cinco tipos diferentes, agindo separadamente ou em conjunto.

A erosão mais conhecida é a erosão hídrica, que é provocada pela retirada de material da parte superficial do solo pelas águas de chuva. Esta ação é acelerada quando a água encontra o solo desprotegido de vegetação.

Outra forma de erosão é a eólica, que ocorre quando o vento transporta partículas diminutas que se chocam contra rochas e se dividem em mais partículas que se chocam contra outras rochas.

Temos a erosão química que envolve todos os processos químicos que ocorrem nas rochas. Há intervenção de fatores como calor, frio, compostos biológicos e reações químicas da água nas rochas. Este tipo de erosão depende do clima local.

A erosão glacial ocorre quando as geleiras (glaciares) deslocam-se lentamente, no sentido descendente, provocando erosão e sedimentação glacial. Ao longo dos anos, o gelo pode desaparecer das geleiras, deixando um vale em forma de U ou um fiorde, se junto ao mar.

E a erosão marinha que é aquela que atua sobre o litoral modelando-o, e deve-se fundamentalmente à ação de três fatores: ondas, correntes e marés. Tanto ocorre nas costas rochosas, onde a ação erosiva do mar forma as falésias, bem como nas praias arenosas, onde o sedimento removido pelas ondas é transportado lateralmente pelas correntes de deriva litoral.

Destes cinco tipos de erosão, a erosão hídrica é a mais importante em relação ao manejo de solos, pois começa exatamente com o inicio de uma chuva, e seus efeitos são percebidos em um curto período de tempo.

Estudos mostram que as perdas de solos por ano, devido a erosão, são da ordem de 50 toneladas por hectare em sistemas de plantio convencional. Mesmo em áreas com sistemas de plantio direto as perdas de solo podem chegar a 10 toneladas por hectare, e em áreas de cultivo mínimo as perdas de solo são da ordem de 20 toneladas por hectare.

Considerando-se a cultura do milho, com uma produtividade de 06 toneladas por hectare, num sistema de plantio direto, podemos ter uma perda de solo de 1,6kg para cada 1kg de milho produzido. Em um sistema de plantio convencional, essa relação pode chegar a 8,3kg de solo erodido para cada kg de milho produzido.

Mesmo no plantio direto, ainda teremos erosão, pois esse é um processo constante de modelamento da superfície terrestre. Enquanto as atividades tectônicas e vulcânicas tende a criar elevações nos relevos, a erosão tenta nivelar o terreno.

O grande problema é a erosão acelerada, que é considerada a principal causa do declínio da sustentabilidade dos solos agricultáveis. Essa ocorre por intervenção do homem com os processos de produção agrícola. E pode ser evitada, quando usamos todas as ferramentas do Sistema Plantio Direto: terraceamento, plantio em curva de nível, rotação de culturas, manutenção de cobertura vegetal durante todo o ano e, semeadura direto na palha (só para citar as ações consideradas mais importantes).

Ou seja, erosão “zero” não existe, mas podemos trabalhar para que os índices de erosão sejam os mais próximos possíveis do que seria uma erosão natural.

No próximo texto vamos conversar sobre erosividade, que é a capacidade das chuvas em provocar erosão, para entendermos um pouco mais sobre como funciona a erosão hídrica.

Tenham uma boa semana e até a próxima. E não se esqueçam de visitar a minha página em crisnunessantos.pro.br

 

 

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