Região
Moradia de líder de tribo ficou destruída após ataque no sábado, em Redentora Brigada Militar / Divulgação

Clima tenso entre grupos rivais suspende aulas na Terra Indígena Guarita

21 de outubro de 2019 O cacique Carlinhos Alfaiate, sofreu uma tentativa de homicídio e teve sua casa incendiada por um grupo rival!


Curta e Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

 

A disputa entre indígenas pelo poder da Terra Indígena Guarita localizada entre os municípios de Tenente Portela, Redentora e Erval Seco, vem acirando os ânimos nos últimos dias. A situação piorou no sábado, dia 19, por volta das 18h:30min, quando o cacique Carlinhos Alfaiate, 52 anos, sofreu uma tentativa de homicídio e teve sua casa incendiada por um grupo rival.

Segundo o cacique, o grupo – cerca de 15 pessoas – chegou em sua residência disparando contra ele, que conseguiu fugir. Sua esposa foi ameaçada e obrigada a sair do local, que foi incendiado.  Carlinhos passou a noite e boa parte do domingo na mata. Ele foi encontrado pela polícia sem ferimentos.

Os desentendimentos acontecem por divergências entre o cacique e o seu vice, Vanderlei Ribeiro. No início deste ano, o vice-cacique se autoproclamou cacique da reserva, mas, as autoridades competentes não reconheceram o cacicado. Desde então, a situação é de tensão entre os grupos.

Devido ao clima de ânimos alterados dentro da aldeia, as aulas nas duas escolas existentes no local foram suspensas nesta segunda-feira,21.

Abaixo, acompanhe a entrevista do Cacique à Rádio Gaúcha.

 

Como foi o ataque?
Foi em torno das 18h30min, estava com minha esposa em casa. Eu do lado de fora ajeitando meu carro e eles chegaram atirando. Vi aquele barulho todo de tiro de arma e percebi que não era pouca coisa. Era muita gente atirando para o meu lado. Tive de recuar. Eles queriam acabar comigo. Eu era o alvo. Tive de fugir e deixei minha esposa.

E o que aconteceu com ela?
Ela enfrentou tudo sozinha. Ameaçaram e colocaram uma arma na cabeça dela. Despejaram gasolina e colocaram fogo na minha casa. Ela viu tudo. Ela reconheceu a maior parte das pessoas que estavam ali. Três eram de fora, estavam encapuzados. A PF esteve aqui hoje (domingo), estamos pedindo apoio e reforço. São pessoas que querem intimidar nossa comunidade. Querem que tudo seja feito do jeito deles, mas sou o cacique e fui eleito democraticamente. A maioria da comunidade me apoia.

Esse ataque tem a ver com a disputa de poder que ocorre na sua tribo?
Sim. São pessoas que nos ameaçam. Intimidam. Eles querem tomar o cacicado à força. A maioria da comunidade não aceita e não concorda com esse tipo de problema. Procurei as autoridades para dar mais segurança à comunidade. Amanhã não vai ter aula em duas escolas por causa desse clima. Eles faltam com respeito.

E por que os ânimos se acirraram entre você e o vice cacique?
São pessoas que vinham praticando coisas sem meu conhecimento e que não concordo. São irregularidades em vários setores de trabalho. Meu trabalho é transparente. A gente tenta resolver tudo na conversa, caso contrário, usamos as leis internas e corrigimos as pessoas. E isso meu vice muitas vezes não concorda. A comunidade onde ele mora (setor de Pedra Lisa, em Tenente Portela) é problemática. A gente só cumpre as leis internas. É a maneira de nos organizarmos.

E onde o senhor vai morar daqui para frente?
Perdi tudo. O fogo destruiu tudo que a gente tinha. Roupas, documentos. Estou pedindo apoio para parentes e vizinhos. Estamos tentando achar um local dentro da comunidade para ficar.

Na sua opinião, o que vai acontecer daqui para frente?
Pedi o apoio da PF para resolver isso. Não estamos lidando com gente pequena. É gente que pratica crime. Sempre fui correto em meu trabalho, mas eles não querem que seja do jeito que quero. Já é a segunda vez que se tenta fazer um conflito na comunidade. Sou cacique de quase oito mil índios e quero trabalhar para todos.

Os comentários estão desativados.

error: Conteúdo protegido !!!