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André Mendonça é confirmado no Ministério da Justiça e Alexandre Ramagem assume a Polícia Federal

28 de abril de 2020 Nomeações foram publicadas no Diário Oficial desta terça-feira (28)


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O chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) André Mendonça foi nomeado ministro da Justiça e da Segurança Pública pelo presidente da República Jair Bolsonaro. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (28). O mesmo decreto confirmou a  Alexandre Ramagem no cargo de diretor-geral da Polícia Federal, o que já vinha sendo ventilado há dias.

Mendonça foi convidado por Bolsonaro nesta segunda-feira (27) para assumir o cargo. Ele havia afirmado a deputados e assessores que indicaria o ministro da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira, que é ligado aos seus filhos. Entretanto, o presidente recuou da indicação.

Segundo o presidente, o novo titular do cargo deve ter um perfil de diálogo com outros poderes.

 — (Será alguém com) capacidade de dialogar com outros Poderes, que tenha boa entrada no Supremo, no TCU (Tribunal de Contas da União), no Congresso — afirmou.

Nascido em Santos, André Luiz de Almeida Mendonça tem 48 anos e, além de advogado, é pastor da Igreja Presbiteriana. Ele trabalha na AGU desde 2000 e foi assessor especial da Controladoria Geral da União entre 2016 e 2018. Em 2008, no governo Lula, foi nomeado pelo então advogado-geral, Dias Toffoli, diretor do Departamento de Patrimônio Público e Probidade Administrativa. É formado na Universidade de Brasília (UnB) e tem mestrado na Universidade de Salamanca, na Espanha.

Ele substitui o ex-juiz Sergio Moro, que se demitiu do cargo na última sexta-feira (24) após a demissão do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Moro afirmou que Bolsonaro queria interferir no trabalho da PF, o que motivou um pedido de investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre as suas denúncias. O inquérito teve a abertura determinada pelo ministro Celso de Mello nesta segunda-feira (27).

Antes diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o delegado Alexandre Ramagem é visto como um profissional sério, íntegro e competente por parte da corporação. O que pesa contra ele é o clima criado pelas acusações feitas por Moro após a demissão de Valeixo.

Moro afirmou que o motivo para Bolsonaro fazer a troca no comando da PF é o interesse em ter à frente da corporação alguém que lhe repasse informações de investigações em andamento, especialmente que envolvam filhos do presidente. Delegados e agentes da PF consultados por GaúchaZH avaliam que Ramagem é técnico e tem histórico operacional. Na própria Abin, área usualmente ocupada por militares, ele era visto como um bom gestor.

Outro detalhe que coloca em xeque a independência de Ramagem é sua ligação com a família Bolsonaro. Ele coordenou a segurança de Bolsonaro durante a campanha de 2018 e, depois, se tornou chefe da segurança. Após seu nome ser apontado como preferido para assumir o controle da PF, uma foto sua ao lado de Carlos Bolsonaro e de outros amigos em uma festa passou a circular nas redes sociais. Carlos é alvo de investigação da PF e apontado como um dos articuladores do esquema criminoso de fake news.

Questionado sobre a amizade do filho com Ramagem, o presidente respondeu da seguinte forma no Facebook:

“E daí? Antes de conhecer meus filhos, eu conheci o Ramagem. Por isso deve ser vetado? Devo escolher alguém amigo de quem?”, questionou Bolsonaro, no domingo (26).

*Gaúcha/ZH

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