Colunistas

CAIBALION: DESMISTIFICANDO O HERMETISMO

16 de outubro de 2019


Curta e Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

 

 

CAIBALION: DESMISTIFICANDO O HERMETISMO

Antes de tudo, quero lhe explicar o que é o Caibalion. É um mágico livro publicado em 1908, sua autoria é praticamente desconhecida, mas a ideia mais aceita é de que foi escrito pelo maçom (assim chamado), Walker Atksinson, membro da Yogi Sociedade, em Chicago, Illinois.  Esse movimento ocultista era formado por religiosos, filósofos, autores e pessoas que compartilhavam da ideia de estudar preceitos universais e ancestrais sobre a questão dos mistérios da vida. É um livro curto, mas de grande valia para aqueles que buscam enriquecer o conhecimento e sair da banalidade mental.

Pessoas que não têm contato com as ideias mais simples da filosofia podem achar todo esse assunto uma conversa sem sentido, sem finalidade, o que obviamente é uma tolice sem tamanho, pois o Caibalion tem por meta nos ensinar alguns conceitos da Filosofia Hermética, isto é, de Hermes Trismegisto, objeto de estudo principal desse livro. Teria sido Hermes, “O mestre dos mestres”, o fundador da astrologia e da alquimia, também teria sido contemporâneo de Abraão e até tivera passado conhecimento místico para ele. Viveu (ou não) provavelmente nos tempos mais primórdios do antigo Egito, bem antes de Moisés, e os egípcios chamavam de Trismegisto, que significa o “três vezes grande”, “três vezes louvado”.

A Filosofia tem berços no Egito e não na Grécia como aprendemos na escola, pois alguns professores se equivocam ao pegar somente o conhecimento que provém do ocidente e desconhecem as raízes no oriente médio. Da mesma forma que as pessoas mais simples, leigas, provavelmente acreditam que os continentes sempre estiveram da mesma forma que se encontram atualmente e que a África sempre esteve longe de nós. Não preciso explicar isso, creio eu.

Isso tudo já escrevi outrora em minhas colunas, mas guardei essa especialmente para os amantes de coração, que amam a filosofia nas suas formas mais rochosas e bela, recém-nascida, mistificada e fruto de indagações mais ocultas e originais do que nunca.

Pois bem, etimologicamente, “Caibalion” na linguagem secreta significa “tradição” ou “preceito manifestado por um ente de cima”, de mesma raiz que a quabala, já o Hermetismo é o estudo da filosofia de Hermes Trismegisto, como já explicado. Os pilares do Hermetismo são sete, isto é, quem dominar plenamente os sete ensinamentos poderá obter a “Chave Mágica” que abrirá todas as Portas do Templo. Calma lá, não estamos falando de algo completamente místico como um portal ou algo do tipo, assim como todo livro sagrado ou de esoterismo, o Caibalion é repleto de metáforas que nos cabem a absorção total do que lá está contido, não significa que você deve sair por aí tentando virar um Buda ou algo do tipo. Não! A ideia é que nós compreendamos os princípios que nele estão contido e que possamos coloca-los em nossas vidas para que uma resposta ontológica possa tentar vir à tona.

Dos Sete Princípios Herméticos, o primeiro deles é…

Princípio do Mentalismo, o qual tem por ideia um rico pensamento que diz, “O TODO É MENTE; O universo é mental.”. O que significa isso? Posso simplificar para você, ó leitor, mas isso não te afasta da obrigação de ler esse esplêndido livro. O Princípio do Mentalismo se resume na ideia de que o pensamento é determinante na nossa realidade, isto é, vivemos aquilo que pensamos, portanto, com o estudo e dominação de tal princípio, podemos pensar melhor e consequentemente evoluir o pensamento.

O segundo é o Princípio de Correspondência.

“O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima.”. O que somos, reflete no universo, assim como o universo reflete em nós, isso ajuda a entendermos como acontecem os fenômenos e as leis que nos regem. Ao estudarmos esse princípio, podemos entender o obscuro em nossa existência e aprender a compreender coisas que nos parecem estranhas. Tudo é relativo e corresponde aos nossos atos.

O terceiro é o Princípio de Vibração.

“Nada está parado, tudo se move, tudo vibra”. É aqui que Heráclito bebeu da fonte de sua maior frase, que dizia “Tudo é mudança”, e complementa com “Nenhum homem pode se banhar duas vezes no mesmo rio, pois quando ele retorna ao rio, nem ele é o mesmo e nem o rio”. Creio que a ideia seja inspirada nesse princípio, assim como até Platão fizera. O universo se move, tudo está em constante movimento, a matéria quanto mais vibra, mais se desloca numa escala, tal preceito é regido hoje em dia pela ciência, porém, olhem só o que os  egípcios já se questionavam.

O quarto é o Princípio da Polaridade.

“Tudo é duplo, tudo tem dois polos, tudo tem o seu oposto, o igual e o desigual são a mesma coisa.” Esse é mais compreensível, pois é a ideia de que tudo tem um extremo, assim como o calor e o frio são a mesma coisa, porém a diferença é a temperatura. Assim explica o Caibalion. Um argumento que chamamos de tese, tem por seu polo a antítese, mas ambos são a mesma coisa, idênticos, apenas o que os diferencia é o grau.

O quinto é o Princípio de Ritmo.

“Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce…” A Física comprovou isso, toda ação tem uma reação, tudo que vai pra frente, vai pra trás, e segundo o Caibalion é o que rege o universo, os sóis, os mundos, enfim, tudo é regido pelo ritmo e movimentação.

O sexto é o Princípio de Causa e Efeito.

“Toda causa tem seu efeito e todo efeito tem sua causa”.

Tudo acontece por um motivo e nada acontece sem que tenha uma razão, se acontece é porque está seguindo uma lei. Esse princípio é entendido como desprovido do “acaso”, isto é, essa palavra não existe no hermetismo, pois se tudo acontece com alguma razão, o acaso não tem espaço.

O sétimo é o Princípio de Gênero.

Se fosse escrito em 2021, certamente esse princípio seria alvo de muita polêmica, afinal, aqui consta que existem dois gêneros, o masculino e o feminino, já no plano superior pode tomar outras formas, mas é sempre o mesmo que no plano físico. No Caibalion, é descrito o gênero como uma visão não luxuriosa, perniciosa e degradante, isto é, não confunda com uma ideia distorcida daquilo que se quer dizer, a ideia é que se gere, se crie e se regenere.

O fato é, o Caibalion é muito mais do que esses sete princípios herméticos e seus axiomas, mas o que resume a ideia principal é sim, esses princípios que nos servem como um norte, ao qual você precisa ler e reler quantas vezes forem possíveis para que possa tentar compreender o que os sábios egípcios pensavam em seu tempo e como descreviam aquilo que notavam. Teria Hermes Trismegisto existido? Não se sabe ao certo, mas é claro que os adeptos dessa corrente acreditam veementemente que sim, da mesma forma que os cristãos acreditam em Jesus, os Hinduístas em Brahma, Vishnu e Shiva. A questão que me aflige é como um livro desses passa despercebido pela massa, não entendo como alguém consegue ignorar tal preciosidade e admirar as futilidades do cotidiano.

Por isso, entenda que só se desenvolveu as ciências e conhecimentos de hoje, porque grandes mentes da antiguidade semearam a dúvida. Agradeço pela leitura e não deixe de ler O Caibalion, mas não por apenas ler, e sim para tentar compreender e ajustar com as situações da vida.

 

*Os textos publicados pelos colunistas da Rádio Querência são de inteira responsabilidade dos respectivos autores.

Os comentários estão desativados.

error: Conteúdo protegido !!!