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DESEJOS, VONTADES E FRUSTRAÇÕES – A FILOSOFIA PODE NOS AJUDAR

4 de novembro de 2019


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DESEJOS, VONTADES E FRUSTRAÇÕES – A FILOSOFIA PODE NOS AJUDAR

Valdir Vianna

Existem muitas coisas que queremos e podemos, mas quando repensadas percebemos que foram decisões equivocadas. Confúcio, lá no oriente nos brindou com uma bela reflexão, a qual dizia: “Tenha calma num momento de fúria e evitarás cem anos de pesares.” Deveria ser esse o lema dos ansiosos como eu, que muitas vezes comem cru por não terem paciência. O lado bom de ser ansioso é que na maioria das vezes somos corajosos, mas impulsivos, somos pacientes – até certo ponto – mas não somos lerdos.

Se tem uma coisa que aprendi nessa vida é a não confundir paciência com lerdeza, isto é, existem pessoas que esperam demais e nunca fazem o que deveria ser feito, seja porque atribuem sua ineficiência ao tempo, religião, dogmas ou pura desculpa esfarrapada mesmo. Deveríamos ter mais “vontade de potência”, como assim chamou Nietzsche, o filósofo alemão que gostava das montanhas e das sinfonias de Wagner.

Vontade de Potência é elevar nossas capacidades de colocar em xeque tudo que a nós é colocado, principalmente valores e dogmas. Se quisermos ser como o “Super-Homem” de Nietzsche, precisaríamos nos desprender de muitas coisas que nos cercam e nos tomam tempo demasiado. Teríamos que nos elevarmos intelectualmente sobre rédeas e nortes que nos são impostos e assumir a ideia da plenitude.

Existem muitas coisas que deveríamos fazer, mas não temos coragem, seja iniciar um curso superior, pedir a mão da donzela – ou príncipe – em namoro ou ainda pedir um aumento para o chefe, a inércia é maléfica para o progresso. Queremos muitas coisas, podemos muitas coisas, mas creio que poderíamos muito mais se nos desprendêssemos de muitas coisas. A coisa em si continua um problema. Schopenhauer, seu danado!

O que quero dizer é que…

A ansiedade está totalmente ligada aos nossos desejos, (querer algo, poder algo e dever fazer algo) assim como às nossas frustrações quando essas vontades não são concretizadas. Eis algo que já escrevi inúmeras vezes e que o budismo, Nietzsche e todo o existencialismo poderão concordar. Os males para nossas vidas são dois, a esperança e a nostalgia.

Agora sim, achamos o problema para nossos anseios e frustrações. Mas será que conseguimos eliminar isso de nossas vidas? Quem não chora ao olhar o álbum de fotografias – se é que existe ainda hoje – e se ver quando criança, no colo da avó ou ainda numa divertida tarde com os amigos em um verão marcante. Ou ainda quando ficamos impacientes perante uma situação que marcará nossas vidas, seja pelo nascimento do filho, um julgamento, um evento inesquecível ou um primeiro encontro romântico.

Deveríamos fazer como os filósofos estoicos, aos quais também dedico e dediquei muitas horas de escrita e estudos, que desprezam esses dois males e aproveitam o aqui e agora, sem lamentações por aquilo que não se tem controle e não nos dizem respeito. Entre eles, está o Filósofo-Imperado, Marco Aurélio, o qual era muito sábio e honrado, fazendo uso de sua sabedoria também nas batalhas que venceu e nos exércitos que comandou. Seus escritos ficaram registrados em suas “Meditações”, livro tal que é indispensável sua leitura.

Temos muitos caminhos a seguirmos em nossas vidas, uma boa parte de nossa curta passagem por aqui é a nossa capacidade nos encontrarmos naquilo que fazemos e assim, darmos um sentido para a vida, tal qual Nietzsche afirmou acima. Ficarmos a semana toda trabalhando e nos divertirmos na sexta ou sábado – ou nos dois dias – é apenas uma escolha, assim como destinar o domingo para intensa reflexão, ou para passear com os filhos no parque, praça ou campo, continua sendo também fruto de escolhas.

Por isso que nossa ansiedade e vontade estão conectadas diretamente às escolhas que fazemos, e principalmente interligadas ao nosso passado e futuro. Se aprendermos a cuidar melhor da nossa mente, saber usá-la com apreço, então poderemos viver com mais serenidade e plenitude, isso não significa uma vida livre de perturbações, longe disso, afinal, todos estamos sujeitos aos piores desastres e males que existem, não interessa se você tem religião ou não, seu poderio ou posição na hierarquia social, o que é nosso virá a galopes, mas se soubermos lidar com essas adversidades, então seremos maiores do que qualquer mal que nos atinja. Força, coragem e luta!

A afirmação da vida se dá pela intensidade e amor que colocamos naquilo que fazemos. Nem tudo que fazemos é sempre o que deveria ter sido feito, muitas vezes o impulso toma conta e o desastre bate em nossa porta, mas imagine o que seria da vida sem o amor que nela há, o que seria do mundo se os bondosos não ajudassem tanto, e também, se os canalhas não fugissem dos seus deveres para com o mundo e os menos favorecidos.

A filosofia nos ajuda a combater esses males, pois a cada descoberta literária nós enxergamos com outros olhos uma tese que até então defendíamos ferrenhamente, e é preciso humildade para reconhecer quando estamos equivocados e então podermos voltar atrás. Aprendi ultimamente a equilibrar muitas coisas, antes acreditava que só a mente era valiosa, mas descobri que o corpo e a mente devem estar na mesma sintonia, caso contrário definharemos num sofrimento antecipado sem poder aproveitar o que de melhor existe nessa vida: o conhecimento.

 

 

*Os textos publicados pelos colunistas da Rádio Querência são de inteira responsabilidade dos respectivos autores.

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