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E aí, será que chove?

11 de junho de 2019


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Bem vindo a Coluna do Professor Cristiano.

Antes, vou me apresentar: meu nome é Cristiano Nunes dos Santos, sou técnico em agropecuária, engenheiro agrônomo, mestre e doutor em agronomia. Tendo nascido na cidade de Jaguarão no extremo sul do Rio Grande do Sul (costumo brincar que mais extremo sul só Santa Vitória do Palmar e Chuí), vim para Santo Augusto em março de 2008, para trabalhar como professor na recém inaugurada Unidade de Ensino Descentralizada de Santo Augusto pelo CEFET Bento Gonçalves (hoje Campus Santo Augusto do Instituto Federal Farroupilha).

Algumas semanas atrás fui surpreendido com o convite para escrever alguns textos para uma coluna no site da Rádio Querência, e como o foco é falar sobre agricultura, principalmente sobre solo e clima, resolvi resgatar alguns dados de um texto que escrevi a dez anos atrás. Já que a questão é produzir, vamos começar com o principal elemento para a produção: água, mais especificamente, chuva.

E aí será que chove? Como vai ficar o tempo? Estas perguntas são tão corriqueiras nas conversas e são ouvidas muitas vezes numa semana, já que o clima tem uma importância muito grande na nossa vida. A cada ano que passa, aumentam as discussões sobre mudanças climáticas e aquecimento global, e por consequência, aumentam as nossas preocupações quanto à produção agropecuária.

O conhecimento do comportamento da precipitação (termo técnico para as chuvas) é um fator determinante para o correto manejo de uma cultura agrícola ou criação animal. Conhecendo-se o histórico da distribuição e quantidades precipitadas durante o decorrer de um ano, é possível planejar eficazmente a melhor utilização da água da chuva pelas plantas, necessidade de irrigação ou ainda de sistemas de drenagem eficiente.

Em Santo Augusto temos a disponibilidade de dados de precipitação oriundos de uma estação automática do Instituto Nacional de Meteorologia, com registros diários desde 2001. Em 2009, juntamente com um acadêmico de curso Técnico em Agropecuária, Marco Aurélio Pinheiro, analisei o histórico das chuvas do município a partir dos dados da estação automática e os comparei com os dados existentes de um pluviômetro administrado pela CEEE durante as décadas de 60 e 70.

Considerando o período de 1961 a 1981 como média de comparação, observaram-se mudanças no comportamento das precipitações em Santo Augusto. Houve um visível aumento de 84,3mm no total anual médio, alcançando uma lâmina precipitada anual de 1773,6mm, sendo que durante o ano, houve uma diminuição na precipitação mensal nos meses de dezembro a março, e agosto, em média 19,6mm, e aumento na precipitação nos sete meses restantes, em média 26,1mm.

Deve-se dar um destaque especial para o período de setembro a novembro, onde a precipitação apresentou aumento de 103,9mm em relação ao mesmo período na média de comparação, ficando outubro com 266,3mm precipitados contra 162,4mm de média para o mesmo mês.

Este comportamento é preocupante, uma vez que o período do ano em que houve aumento nas quantidades de chuva corresponde à época de colheita das culturas de inverno e preparo do solo para as culturas de verão. Isso significa a possibilidade de maior risco de perdas na colheita e aumento nas perdas de solo por erosão hídrica. Para piorar, quando mais precisamos de chuva, no período de enchimento dos grãos entre janeiro e março, as chuvas diminuíram. Essa redução das quantidades de chuva na época mais crítica em relação à necessidade de água pelas plantas reduz as produtividades das culturas de verão.

Como não podemos mudar o clima a curto prazo, a solução é planejar com antecedência todos os passos da produção agropecuária, utilizar práticas de manejo de solo que retenham água, a irrigação quando possível e fazer a escolha correta de cultivares adaptadas para a região e as nossas atuais condições climáticas.

Eu sei que já se passaram 10 anos desde que fiz esse estudo, mas deixo a pergunta: A situação melhorou ou piorou depois desse tempo?

E assim, podemos começar a conversar sobre erosão, uso do solo, aptidão agrícola, e clima é claro, já a partir das próximas postagens.

Tenham uma boa semana e até a próxima.

Cristiano Nunes dos Santos
Professor do IFFar – Campus Santo Augusto

 

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