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Entidades do RS querem preço do arroz acima de R$ 45/saca

20 de janeiro de 2016


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Faltando um mês para o início da colheita do arroz, o setor produtivo no Rio Grande do Sul demonstra preocupação com a comercialização da safra, apesar de os preços estarem em patamares historicamente altos. A justificativa apresentada pelas entidades ligadas ao cereal é de que a dobradinha formada pela elevação dos custos de produção e a queda de produtividade põe em risco a rentabilidade do agricultor – com redução maior ainda de área plantada no futuro.

 

Nesta segunda-feira (18/01), no anúncio da programação oficial da abertura da colheita, o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, defendeu a necessidade de um preço médio de pelo menos R$ 45 para a saca de 50 quilos do arroz em casca. Atualmente, o produto é vendido pelo valor médio de R$ 41 a saca. "O preço atual é excelente, em termos históricos. Mas, com a alta dos custos e a queda de produtividade, dependendo do nível de quebra na lavoura, não há lucro. E precisamos que o preço suba para estimular o rizicultor a continuar na atividade", disse. Segundo ele, dadas as condições atuais da cultura, o preço médio de R$ 45 a saca é considerado razoável para que os agricultores tenham um mínimo de rentabilidade. "Para aqueles que ainda estiverem com uma produtividade muito boa, esses R$ 45 representariam entre 10% e 15% de lucro. Para outros, ainda assim ficaria empatado", falou. O valor "dos sonhos", ele diz, seria R$ 48 a saca.

 

Além da disparada dos custos de produção, o setor sofre os efeitos do El Niño, que provocou chuva em excesso no Rio Grande do Sul durante a janela de plantio. Levantamento do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) estima que a produção encolherá cerca de 15%. Se confirmada a previsão, a safra deve ser de 7,4 milhões de toneladas, ante 8,6 milhões em 2014/2015. O estudo aponta que 34 mil hectares, ou 3,5% da área plantada, já estão perdidos, e que pelo menos outros 90 mil hectares foram atingidos pelas enchentes, principalmente na região da Depressão Central. A produtividade média deve cair de 7.500 quilos por hectare para 7.100.

 

As entidades estão em negociação com o governo federal na tentativa de garantir recursos para mecanismos de apoio à comercialização, que ajudariam a melhorar o preço ao produtor. Por enquanto, só o que o Ministério da Agricultura assegurou foi a liberação de R$ 10 bilhões para pré-custeio da safra 2016-2017. Tampouco se sabe o quanto deste montante será direcionado ao arroz. Em tempos de ajuste fiscal, os pedidos desse tipo são difíceis de serem atendidos e, mais do que nunca, dependem de tratativas também com o Ministério da Fazenda. Além da restrição de crédito, outro ponto que pode ser limitador é o impacto que a alta dos preços do arroz terá para o consumidor final – o que se refletirá na inflação de alimentos. "O governo terá que fazer uma engenharia difícil. Por um lado, o Rio Grande do Sul está batendo recordes na exportação do arroz. Por outro, temos que manter o produto com um preço acessível ao consumidor. E, além disso, remunerar bem o agricultor para ele continuar produzindo", resumiu Francisco Schardong, presidente da Comissão de Arroz da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e presidente da Câmara Setorial de Arroz.

 

Dornelles acredita que a relevância do Rio Grande do Sul nesta cultura é suficiente para que o Ministério da Agricultura olhe com atenção as reivindicações apresentadas e, desta forma, evite que o setor continue reduzindo a área dedicada ao arroz. "Se o Estado diminuir mais a área por questões econômicas, nós dependeremos muito de importação. E, com o dólar alto, fatalmente o consumidor terá um aumento ainda maior (no preço final pago no varejo)", afirmou.

A abertura oficial da colheita ocorrerá entre 18 e 20 de fevereiro, na cidade de Alegrete. Dentro da programação, haverá uma reunião da Câmara Setorial Nacional do Arroz, além de uma audiência pública sobre a guerra fiscal dos Estados e seus efeitos à competitividade das cadeias produtivas de alimentos básicos. Os organizadores esperam contar com a presença da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, que já terá voltado de licença médica, e imaginam que a ocasião pode ser propícia para que o governo sinalize com mais precisão qual será o apoio concedido à comercialização da safra.

 

Dpto de Jornalismo RQ

Fonte: Revista Globo Rural

Postado Por: Ed Jr (Goianinho)

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