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NOSSAS RELAÇÕES HUMANAS ESTÃO FRAGILIZADAS

15 de janeiro de 2020


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NOSSAS RELAÇÕES HUMANAS ESTÃO FRAGILIZADAS

Valdir Vianna

Recentemente após publicar meu livro, “A Filosofia das Relações Humanas”, tive o enorme prazer em receber vários feedbacks dos amigos leitores, os quais agradeço imensamente, porém, me peguei pensando sobre alguns trechos que escrevi de forma intensa, entre eles, a ideia de vivermos mais e nos importarmos menos. Você deve estar se perguntado “Por que raios ele disse que nossas relações humanas estão fragilizadas?”, bem, não é tarefa fácil tentar explicar os motivos que tornam nossas relações mais frágeis, porém, podemos aqui fazer uma análise filosófica das situações corriqueiras que tornam nossa vida mais robótica sem que percebamos no cotidiano.

Claro, estamos cansados de saber que a tecnologia em demasia prejudica não apenas nossa saúde mental, mas também nossa saúde física. Tornamo-nos mais sedentários, acomodados e extremamente ansiosos – um ansioso escrevendo sobre ansiedade – A partir do momento que colocarmos os pés no chão e partirmos para uma vida mais “manual”, daremos então o primeiro passo para o grande insight, ou despertaremos de um “sono dogmático”, tal qual Kant assim fez ao descobrir Hume.

Não sei qual o seu emprego ou trabalho, caro leitor, mas o meu é totalmente voltado para o meio digital, isto é, aprendi a separar exatamente cada hora do meu dia, aprendi a controlar o tempo e nunca ir contra ele, esse é o erro crucial para quem deseja ter mais tesão pela vida; não saber aproveitar o momento.

Imagine só, trabalhar o dia todo no meio digital, chegar em casa, cansado, e ainda ter que ficar horas na frente de um smartphone ou computador. A lógica é a mesma dos que saem de casa para “comer comida caseira” num restaurante, como vi num vídeo do Filósofo, Mario Sergio Cortella há muito tempo atrás.

Quando em descanso, quero concretizar a ideia de convívio íntimo, conversar com a família, amigos e praticamente se “desligar” do trabalho – ou tentar o máximo que puder – assim, deixaremos mais fortificada nossas relações humanas com aqueles que amamos.

Que chato é quando estamos reunidos com os amigos e eles não largam do smartphone, com os meus camaradas eu sou aquele que critica o uso demasiado em momentos de descontração. A explicação e justificativa é a seguinte, tenho para mim que só vamos fortalecer essas relações humanas, quando voltarmos a viver de forma empírica, isto é, voltarmos a tocar o outro, pisar no barro, sentir a chuva, cantar no chuveiro, beijar sem culpa e vergonha, abraçar sem se preocupar com o que o outro pensa.

Você não sente e nem vê, mas nosso convívio social está totalmente turbulento, se antes precisaríamos agradar um ou dois, agora temos que agradar quinhentos, oitocentos, mil, depende muito de quantas redes sociais você tem e de quem te segue.

Se não gosta do meio digital ou tem redes sociais, não tem problema algum, porém, isso não te faz especial, afinal, daqui pra frente o mundo será dantescamente on-line e a distância, cabe a você aceitar a mudança ou recusar, será chamado de “analfabeto digital”, terá menos ansiedade, frustrações, mas terá mil dores de cabeça por não conseguir mais fazer coisas simples do cotidiano e de forma presencial. Quer um exemplo? Bancos, logo, logo não existirão mais agências bancárias, você tendo dinheiro ou não. A mesma ideia é observável na ciência, certa vez, no seriado COSMOS, o astrofísico, Neil deGrasse Tyson disse a seguinte frase, “A Ciência funciona perfeitamente, você acreditando nela ou não”, então cabe a nós aceitarmos as ondas de mudanças e assim seguir o fluxo social, ou recusá-las, sermos ermitões, viveremos menos frustrados, mas isolados da turbulenta máquina social.

Se você ler “21 Lições para o Século XXI”, do renomado escritor e historiador israelense, Yuval Noah Harari, entenderá bem o que digo, ele explica cada detalhe com maestria inigualável. A leitura é uma fonte inesgotável de amadurecimento intelectual, mas lembro novamente, isso só acontece se os livros forem de respeito e passarem ideias provocantes e inquietantes, o resto não me vale de nada. Nu e cru.

Aproveite o tempo, trabalhe o que tiver para trabalhar, seja honesto e humilde, quando chegar em casa, relaxe, ame, abrace, brinque com o cachorro, reúna os amigos sempre que puder – lembre-se de Epicuro e os três mandamentos para ser feliz – tenha hobbies para ajudar nos momentos tediosos. Sempre que fizer alguma coisa, faça com amor e tesão, aqui lembro-te de Nietzsche, “viva com potência, vontade de potência”, vá além do homem, caminhe, voe, só não pare.

 

*Os textos publicados pelos colunistas da Rádio Querência são de inteira responsabilidade dos respectivos autores.

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