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Polícia Civil conclui nesta sexta-feira depoimentos de PMs sobre morte de agricultor em Pelotas

Delegada afirma que ainda não há elementos para falar em execução; perícias pendentes podem ampliar o prazo necessário para conclusão de inquérito

30/01/2026 08:07 por redação


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Produtor rural foi morto na madrugada do dia 15 de janeiro, no interior do município do sul do Estado. Divulgação / Arquivo pessoal


 

Polícia Civil conclui nesta sexta-feira (29) a oitiva dos brigadianos que participaram diretamente da ação que resultou na morte do agricultor Marcos Nörnberg, de 48 anos, baleado durante uma abordagem da Brigada Militar na madrugada do dia 15, em Pelotas. O caso é apurado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e está em uma fase considerada decisiva para a consolidação da linha investigativa inicial.

Nesta etapa, a Polícia Civil concentra esforços na coleta dos depoimentos dos policiais que atuaram diretamente na ocorrência, antes de avançar para a oitiva de integrantes do comando da operação e para a análise integrada das provas técnicas já produzidas, como laudos periciais e registros audiovisuais.

— Amanhã (hoje) a gente encerra o depoimento de todos os policiais que participaram diretamente da operação — afirmou a delegada Walquíria Meder, responsável pela investigação.

Com o encerramento dessa fase, o inquérito entra na etapa de cruzamento entre os relatos colhidos e os elementos técnicos. Segundo a delegada, integrantes do comando da operação ainda deverão ser ouvidos na próxima semana, após o feriado.

Polícia evita termo “execução”

Imagens e áudios captados por câmeras de segurança da propriedade rural passaram a circular após o caso e motivaram interpretações de que o agricultor teria sido executado. A delegada afirmou, no entanto, que esse termo não é adotado pela Polícia Civil neste momento da investigação.

— Execução é uma interpretação da família, que está passando por um momento horrível, de muita revolta, o que é compreensível. Mas a polícia e a perícia, em momento nenhum, falaram em execução, porque não temos elementos para afirmar isso agora — disse.

Segundo ela, os registros audiovisuais precisam ser analisados em conjunto com todo o restante do material probatório, especialmente os laudos periciais, que ainda não foram concluídos.

— Aquela fala e aquele áudio têm que ser analisados junto com todo o conjunto da investigação. Ainda falta muita coisa da perícia — afirmou.

Dinâmica do confronto segue em análise

A investigação aponta que os dois primeiros disparos partiram de Marcos Nörnberg, que utilizava uma carabina para defesa da propriedade, já alvo de assalto anos antes. Duas cápsulas compatíveis com a arma foram encontradas no local.

Na sequência, policiais do 4º Batalhão de Polícia Militar e do 5º Batalhão de Choque efetuaram 16 disparos, com fuzil e pistola. Após a primeira sequência de tiros, um último disparo foi registrado. A dinâmica completa desses momentos segue sob análise da perícia criminal.

Fontes ouvidas por Zero Hora confirmaram que os policiais envolvidos sustentam que agiram em legítima defesa, afirmando que acreditavam estar sendo atacados por mais de uma pessoa armada no momento em que entraram na propriedade rural. Segundo essas fontes, os militares não admitem a hipótese de execução.

Duas frentes de investigação

O caso é apurado em duas instâncias. A Corregedoria-Geral da Brigada Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar possíveis crimes militares e infrações disciplinares. Paralelamente, a Polícia Civil conduz um inquérito que investiga possível homicídio, incluindo a conduta dos policiais envolvidos.

Familiares da vítima prestaram depoimento no Ministério Público, em Pelotas. O caso é acompanhado pelo promotor de Justiça Frederico Lang. Nesta semana, dez policiais já foram ouvidos, e as oitivas chegaram a ser interrompidas temporariamente devido ao deslocamento da equipe para uma operação policial.

Segundo a delegada Walquíria Meder, o inquérito tem prazo inicial de 30 dias, mas pode ser prorrogado, em razão da pendência de exames periciais essenciais para a conclusão da investigação.

— A gente não vai entrar em detalhes de depoimentos nem de especificidades da perícia neste momento, porque tudo precisa ser analisado em conjunto — reforçou.

GZH



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