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O MITO DE ER – PROVOCAÇÃO FILOSÓFICA

10 de junho de 2019


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Platão descreve esse mito na República, no Livro X, ali descreve através desse mito, a sua Teoria da Reminiscência, isto é, para ele nós já vivemos em outro mundo antes desse, o qual chamava de “Mundo das Ideias”, um mundo inteligível, perfeito, onde nossa alma por lá residia e constituía a parte mais nobre do ser e ao chegar nesse plano sensível, nos perderíamos, mas aos poucos, com a ajuda da virtude e conhecimentos, iríamos nos aperfeiçoando e tendo um saber parcial das coisas. O aprendizado é apenas algo que recordamos, afinal, já sabíamos no mundo perfeito. Conta Platão, que Er foi um guerreiro, morto em batalha, e após ser queimado numa pira e posteriormente ser enterrado, notava-se que sua aparência se diferenciava dos demais mortos e em estado de putrefação, parecia intacto, então, Er acorda – para a surpresa de todos – e conta como é a vida dos mortos e sua passagem instantânea. Er relata que viu juízes, que destinam o caminho dos pecadores. Os juízes dizem a Er que ele não participará do julgamento e sua única tarefa é observar tudo e relatar quando retornar ao mundo sensível. Os juízes dão opções de modelos de vidas aos apenados, os quais devem escolher da mais exemplar à mais banal e imunda, seja como for suas vontades. Então após escolhido seus estilos de vida, são destinados a passar por três deuses: Lachésis, Cloto e Átropos. (Que traduzidos do grego, significam passado, presente e futuro, ambos filhos da Deusa Necessidade). Com Lachésis, as almas escolheriam seus protetores – ou chame de anjo – Cloto, o destino era ratificado e em Átropos o destino não se modificava ao ser escolhido. – Perceba que tudo é um teste, desde os Juízes até agora – Após isso, passavam pela Deusa Necessidade que os encaminhavam a um rio, chamado, Lethes, ou Rio do Esquecimento. (Lembre-se de Aletheia, que é aquilo que não se esquece). Aqui, aqueles que escolheram um modelo de vida desregrado, ruim, bebiam muita água do rio, para esquecer essa vontade de ter uma vida ruim, já aqueles que escolheram um modelo de vida bom, virtuoso e regrado, bebiam pouca água, para também lembrarem, mas da vida correta que escolheram. Er, não bebera nada, afinal, os juízes lhe disseram para observar e relatar tudo pós-morte. Então Er, acorda, como já mencionado no começo desse texto, e descreve o que viu. Isso tudo é relato por Platão, através dos diálogos com Sócrates, e ele mostra que todos temos opções de escolhermos os nossos modelos de vida a seguirmos, uns bebem mais e outros bebem menos da virtude, do conhecimento, mas todos bebem. Esse mito foi usado pelo cristianismo para dar um conceito de céu e inferno posteriormente, assim como outros relatos filosóficos. De acordo com as escolhas ao beber da água do rio, Platão dividiu em três partes a alma humana, Concupiscível: Ligadas ao desejo corpóreo e sexual.  Irascível: Sentimentos humanos, coragem, o agir e por último, a Racional: Aqui reside a sabedoria e ela deve se sobrepor às duas outras, pois deve lutar contra o bem e mal e procurar a virtude, retratado por Er, que não bebeu das águas do esquecimento e por isso lembra de tudo que viu.

Você no mundo inteligível, escolheria qual modelo de vida? Beberia muito ou pouco das águas de Lethes? Reflita aí. Um forte abraço!

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