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SCHOPENHAUER E O AMOR PELOS ANIMAIS

10 de abril de 2019


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Se existiu um grande filósofo que amava os animais, esse cara era o incrível Arthur Schopenhauer, nascido na Alemanha no século XIX. Embora seja um organizador da corrente filosófica do pessimismo, onde para ele a vida era um “pêndulo que oscila entre o tédio e o sofrimento”, isto é, somo seres insatisfeitos que ora queremos, nos satisfazemos, depois sofremos da angústia por querer mais e nos frustramos quando não conseguimos algo. Schopenhauer era um defensor da moral e dos direitos dos animais, tanto que para ele não se pode existir um animal simplesmente para atender todas as necessidades do homem.

Não se tem ideia se ele foi vegetariano ou não, mas creio que ele deveria apenas se abster do uso excessivo de tal proteína no seu cotidiano. Mas você deve estar se perguntando o que levou esse grande filósofo a ter tanta compaixão e amor pelos animais. Posso te dizer que o sofrimento e desilusões amorosas foram pontos positivos para que seu amor pelos animais fosse tão belo e verdadeiro, se é que assim posso dizer.

Para ele, a ética não deveria ser antropocêntrica, que valorizasse apenas o homem que pratica o bem esperando uma valoração de sua atitude ou gesto, e sim uma ação desinteressada que anula tal egoísmo e faz nascer no homem a compaixão ou o sentimento de compaixão, como Schopenhauer falava. E nessa compaixão é que está o carinho e afeto pelos animais. Quando sentimos compaixão de alguém, não importa o que seja, devemos ter um impulso a priori de ajudar, sem interesse a mais ou benefícios, pois Schopenhauer costumava dizer que:

“A Compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter, que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem. ”

Schopenhauer via a vida como um sofrimento cruel, e dizia que a pior coisa que podia acontecer a alguém é nascer, vejam só, para ele as pessoas acreditam que somente elas possuem problemas colossais e que ninguém mais sofre como quem está passando por tal situação. Ele nos coloca no lugar, observando tudo que também está além de nós. Ele acreditava nas opiniões alheias e nos pontos de vista, onde eu enxergo algo de um ponto, acredito nessa ideia, porém você enxerga de modo diferente e pode também estar certo, por isso ele nos pedia para sermos tolerantes com opiniões diferentes das nossas.

Adorava tanto o budismo que deu o nome de “Atma” (Alma em Sânscrito) ao seu Poodle, o qual era infinitamente afetuoso e apaixonado, Schopenhauer adorava tanto Atma, que quando ele morreu foi trocado por uma réplica. Sofreu desilusões amorosas na vida, as quais o deixaram ainda mais pessimista e com fortes críticas às relações afetuosas, tanto que nunca casou nem deixou filhos. Uma espécie de Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Se as pessoas egoístas conhecessem as ideias de Schopenhauer elas poderiam amar mais os animais, ter compaixão por eles, não abusar do consumo de carnes, comê-la com respeito à refeição sim, afinal, sobrevivemos na história do mundo graças também às proteínas, porém nosso cérebro já é bastante desenvolvido e o consumo pode ser diminuído, tanto pela saúde mesmo, aquilo que o médico vive me dizendo…Mas enfim, cada um é autor da sua história, se todos refletissem mais sobre suas atitudes no dia a dia, teríamos mais compaixão com as pessoas e com os animais, pois anularíamos nosso desejo de vingança e de raiva que a sociedade, economia, índices, doenças nos tentam a elevar a pressão.

A proposta aqui é refletirmos sobre os maus tratos nos animais, o sofrimento desnecessário, o sentimento que deles também brotam, e que para além de tudo, são nossos amigos, companheiros. Tanto faz se é a minha pequena cachorrinha que chamo de Filó, ou seu hamster, cavalo, gato, o que interessa é a compaixão que por todos eles devemos ter, afinal, somos todos seres que existem para que o universo interaja conosco e não que ele seja feito exclusivamente para nosso deleite, para que possamos dele tudo achar que somos donos. Encerro aqui com um último pensamento de Schopenhauer e te agradeço pela leitura e reflexão.

“O que temos dentro de nós é o essencial para a felicidade humana. ”

 

Valdir Vianna

“Pensar com alegria é envelhecer com sabedoria. ”

 

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