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SEUS FILHOS NÃO SÃO VOSSOS FILHOS

17 de junho de 2019


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SEUS FILHOS NÃO SÃO VOSSOS FILHOS

Sempre que posso, compartilho de alguns pensamentos filosóficos com algumas outras almas inquietas e mentes barulhentas, que anseiam por conhecimento e descobertas infinitas, é claro, você não pode falar sobre coisas do coração e do entendimento humano com qualquer pessoa e em lugares que não tem as portas abertas à Filosofia. Os filhos são sempre nossas lamparinas e assim como elas, precisamos entender que não acenderão sozinhas, elas precisam que alguém vá lá e faça o serviço para clarear o lugar que se está. A mesma comparação fora feita pelo filósofo libanês do século XIX, Khalil Gibran, o qual sempre procuro relatar em meus escritos, e nem preciso dizer que a beleza de suas reflexões no clássico “O Profeta”, são de extrema valia para os amantes da sabedoria. Lá no livro, O Profeta fora indagado por uma mulher que lhe disse o seguinte: – Fale-nos sobre os filhos.

Então o mestre disse as seguintes palavras:

Vossos filhos não são vossos filhos:

 São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma.

 Vêm através de vós, mas não de vós,

 E embora vivam convosco, não vos pertencem.

Podeis doar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos;

 Porque eles têm seus próprios pensamentos.

 Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;

Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.

 Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,


Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.

O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força, para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.

Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:

Pois assim como ele ama a flecha que voa,

ama também o arco que permanece estático”.

Impossível não se maravilhar com tamanha sabedoria e conhecimento, tudo isso graças à literatura, que nos proporciona conhecermos obras como essa escrita por Khalil. “Nossos filhos não são vossos filhos”, é a certeza de que a vida é a maior família que poderemos ter, assim como a maior incógnita que alguém pudera esperar, o fato é que os filhos nunca são dos seus pais, são sempre da vida, isto é, eles aprendem tudo por meio da observação e posteriormente da experiência, são os arautos das péssimas notícias, ainda mais quando jovens – Não existe coisa pior do que os pais que mimam seus filhos a ponto de se tornarem uns completos bananas depois que crescem.

Tornam-se uns jovens mornos de conhecimento e gritantes de energia, são ótimos na arte de se vangloriarem, exibirem, ostentarem falsas felicidades, festas luxuosas – ou não – o tanto de garotas (os) que ‘pegam’ nos finais de semana. Sabe o que é o pior além de tudo isso? É que Khalil Gibran está cada vez mais certo. “O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força, para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.”. Tem flecha que não volta nunca mais pro arco, assim são os filhos quando os pais não conseguem mais segurar o arco, pois cansaram do movimento repetitivo e sem sentido.

Seu filho é sua flecha e você é o arco!

Atire a flecha, busque-a sempre e mantenha os olhos no alvo, mesmo que as vistas não estejam mais apuradas como outrora. Eduque seu filho para ser um bom homem, ter uma vida simples, mas não morna, ser uma pessoa humilde, mas não subserviente, ser paciente, mas não lerdo, ser corajoso, mas não agressivo, ser respeitoso, mas não tolo, ler bons livros, mas não qualquer livro.

Um aluno não nasce sabendo como gritar, xingar, derrubar móveis numa sala de aula, ele aprende isso, seja com algum amigo, conhecido ou até mesmo nas relações familiares pelas circunstâncias sociais da vida. Por isso, mantenha sempre a flecha por perto, se não conseguir pelo menos fez a coisa certa o máximo que aguentou, afinal, seus filhos não são vossos filhos, uma hora eles se distanciam de tudo que lhes foram ensinados e voam para longe das árvores do conhecimento da qual um dia já comeram frutos.

Não precisa ser pai para aprender a educar alguém.

Não sou pai, mas sou um educador, no momento apenas formado em Filosofia, sem lecionar em si, mas na precisão aulas particulares serão convocadas e lá estarei para auxiliar no compartilhamento de ideias filosóficas. Não preciso estar dentro de uma sala de aula para entender os motivos que fazem um aluno bagunceiro fazer algazarra como se é sabido, assim como não preciso ser pai para aprender a educar alguém. A educação é uma planta que deve ser regada como amor, investimento e dedicação, tanto de pais, governo e sociedade. Um mau aluno é fruto de inúmeros fatores sociais que são relacionados com a forma que fora criado e educado pelos pais, agora junte tudo isso com um país desigual e que não dá tanto leite aos filhos como se espera, o resultado é conhecido por todos.

Educar é dizer não!        

Tem pai que não pode ver o filho chorando que já tenta recompensá-lo com alguma coisa, como se o choro fosse algo ruim e não humano. O filho vai mal na escola, a culpa é do professor, o filho xingou o amiguinho de forma preconceituosa, – Ah, liga não, são crianças, falam bobagens o tempo todo! Cautela, é preciso educar as crianças para não punir os adultos, já nos alertava Pitágoras. Amar é dizer não! – Mas pai, me deixa ir, todos vão à festa! – Não vai não, você não é todo mundo e você ainda é menor de idade.

O argumento é antigo, clichê, mas é válido e bastante indicado, principalmente se você perceber que se não tomar uma iniciativa poderá ser tarde demais. Para quem se ama nunca é tarde demais. Aprenda isso. Educar é um processo demorado, exige tempo e investimento, portanto, seja o arco dos seus filhos. Aprendemos com todo mundo a todo instante. Eu aprendo diariamente com um arrogante como não ser arrogante com os outros, aprendo com um exibido como não me vangloriar para os outros, aprendo com os mornos como não ser pusilânime na vida, aprendo com os canalhas como não ser um, aprendo com os exaltados como não ser impulsivo, e aprendo com os idiotas a não admirá-los como se fossem merecedores de atenção, são apenas idiotas e estão por todos os lados.  Tudo que não queremos para nossos filhos é tudo aquilo que não queremos para os outros também, afinal, os filhos são extensões de nossos pensamentos e relações empíricas ao longo de nossas vidas.

Se você foi um jovem interessante, educado, honesto e humilde, ensinará esses valores aos seus filhos, não significa que eles aceitarão a priori, mas o fato de você nunca desistir é o que dá sentido a vida em família.

 

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