Colunistas

PARA ARISTÓTELES,TER MUITOS AMIGOS É NÃO TER NENHUM

19 de setembro de 2019


Curta e Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

 

PARA ARISTÓTELES,TER MUITOS AMIGOS É NÃO TER NENHUM

Quando Aristóteles sabiamente disse essa frase, ele jamais imaginaria que ela atravessaria séculos e chegaria até o presente momento, em que contemplamos a idiotice de achar que nossas amizades são relacionadas supostamente com o número de pessoas que nos conectamos nas redes sociais. Tem gente que não consegue ficar um dia sem postar fotos da rotina na academia, da comida que vai saborear logo mais, ou ainda, de o quanto é bela e graciosa (o), não que seja um crime, longe disso, mas é doentio.

Creio que uma rede social usada com sabedoria, pode ajudar a diminuir a ansiedade que tormenta nossos tempos, isto é, se você tem um trabalho, use-a para divulgá-lo, se tem leituras, algo que deseja compartilhar com todos para enriquecer o conhecimento, fique a vontade, ou ainda, algumas músicas de seu trabalho autoral, de sua banda, do artista que gosta, redes sociais servem para isso, para fortalecer os vínculos de amizade, não para uma exibição narcisista diária. O convívio com más amizades pode tornar essa superficialidade ainda mais evidente, amigos que não demonstram algo proveitoso que se possa obter para mudar a relação de convivência.

Repito, em tempos tecnológicos, o uso sapiente de redes sociais afeta e muito a relação que temos com nossos amigos, pois se você começa a se limitar à ideia de que só é seu amigo quem ali está, você deixa de ter um vínculo real com aquela pessoa, pois ambos começam a ficar dependentes dessa carência de “ser notado” e de ser “percebido” a todo tempo.

Aristóteles definiu a amizade em algumas formas, conforme expliquei em outro texto aqui no site, mas vale lembrar que a amizade deve prevalecer sobre todas as coisas, desde que o amigo sem benevolente e possua virtudes que possamos absorver para nossas vidas, isto é, a nossa capacidade de aprender algo com aqueles que chamamos de “amigões”, e não meramente um “parceiro” ou ainda, um “colega”.

A verdadeira amizade não é aquela que foi abandonada e nunca mais se obteve contato, mas aquela que mais se obtém aproveitamento virtuoso para que nossa vida não seja coberta por banalidades. Podemos traduzir num termo mais leigo, que seria a camaradagem ou bons companheiros de estrada. Dessa forma a amizade não se torna aquele café morno e nem a vida pusilânime.

Para Aristóteles, só se é amigo mesmo, quando se faz o maior número de benevolências para com o outro, e ainda se obtém um único proveito dessa pessoa, que é a virtude, ou ainda, a obtenção de coisas positivas. Por isso é bastante válida essa ideia que gosta sempre de frisar, amigo bom é aquele que sempre está por perto, de longe só ficam as lembranças.

 

 

 

 

 

 

*Os textos publicados pelos colunistas da Rádio Querência são de inteira responsabilidade dos respectivos autores.

Os comentários estão desativados.

error: Conteúdo protegido !!!