Colunistas

A MENTIRA DÁ O ALMOÇO, MAS NÃO DÁ O JANTAR

25 de junho de 2019


Curta e Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Gosto muito de provérbios e ditados no geral, mas esse provérbio árabe é de uma sapiência incrível, em poucas palavras nos levam a refletirmos imensamente e também nos fazem entender um pouco mais sobre as consequências que a mentira em demasia pode trazer para nossas vidas. Quem nunca mentiu que atire a primeira pedra, quem nunca disse uma pequena mentirinha que seja, mesmo que para aquela pessoa que você mais confia e ama. Não adianta, mentimos porque mentir é uma necessidade humana, assim como o amor, segundo Schopenhauer o “amor é o impulso da vida”, por mais que tentamos fugir, pouco adiantará, ele logo nos encontrará e dele ninguém escapa.

Tão pouco a morte me importa quanto a ideia de amar alguém, afinal, são duas ideias que não posso recusar, elas virão contra a minha vontade, cabe a mim saber lidar com elas. A mentira, por sua vez é confortante, ela nos ajuda imensamente em várias situações e momentos que falar a verdade só colocaria mais lenha na fogueira, mas cuidado, lembre-se do ditado acima, “A mentira dá o almoço, mas não dá o jantar”, o árabe que escreveu isso com certeza era alguém muito experiente, que em tão poucas palavras conseguiu demonstrar um conhecimento valiosíssimo. O mentiroso sempre sente inveja do outro, por isso ele precisa difamá-lo, para os amigos, para a família, para todos que possam aumentar ainda mais a difamação. Não acredito em gente que diz que não mente ou pior ainda, que não mentiu.

Essas são as pessoas que você deveria evitar, como que alguém enriquece escandalosamente sem mentir para seus sócios? Ninguém fica milionário sem roubar ninguém – Salvo as loterias e o Show do Milhão – Nem me venha com histórias de superação, fico do lado de Hobbes neste momento. Num momento a mentira lhe conforta tanto que seu almoço é num palácio, logo mais você poderá estar numa delegacia dando explicações. Então meu caro, mentir te ajudará em muitos casos e momentos, mas se você fizer da mentira um hábito, ela poderá lhe deixar sem janta.

Mentimos porque nossos interesses são sempre maiores do que a nossa moral, ninguém mente por que quer mentir, mas sim por interesse em algo, para satisfazer seu ego e conquistar algo. O assassino mente por que não quer passar vinte anos na cadeia, mesmo que isso tenha custado a vida de algumas pessoas, para ele pouco importa. O marido infiel mente por que é um canalha acima de tudo e quer manter duas mulheres como suas dependentes, pois o homem é um animal insatisfeito por natureza, mas claro, nada justifica a traição, a questão é que a mentira anda colada nas relações humanas.

Acho que a mentira fez muito mais pela humanidade do que qualquer outra coisa, mesmo sendo errado mentir, fico pensando que a mentira atravessou a história, desde Pedro negando Cristo, Brutus traindo a mão que lhe alimentou, Júlio Cesar, também os políticos que nos cercam, o que seria deles se não mentissem durante um aperto de mão, seja do eleitor ou dos companheiros de profissão.

Acontece que a mentira, queira você ou não sempre será descoberta, em minutos, horas, dias, meses, anos ou séculos, mas ela tem prazo de validade. Mentimos para nos confortarmos e nos sentirmos mais seguros, mas a pergunta que faço é até que ponto vale a pena mentir? Vale a pena perder um casamento e alguém que você realmente ama por causa de uma mentira? Perder um bom emprego porque resolveu mentir sobre um colega de trabalho e o chefe descobriu, ou ainda, mentir para apenas ter mais uns trocados a mais na conta bancária – vale também para os milhões – Creio que mentir é uma saída temporária para um problema não solucionado, é um tapa de luvas e como dizia Nelson Rodrigueis, “o problema do tapa não é o tapa, é o barulho.”.

Deixo quicando para você.

E aí, mentir é necessário ou é inevitável? Rsrs.

 

Valdir Vianna – Professor de Filosofia e Escritor.

Os comentários estão desativados.

error: Conteúdo protegido !!!