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JOHN RAWLS E A EQUIDADE DA JUSTIÇA

24 de abril de 2019


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O grande pensador americano, John Rawls, nascido em Baltimore, 1921, foi um célebre professor de filosofia política na Universidade de Harvard, e com foi de grande valia para a fundamentação do pensamento analítico relacionado às questões de justiça e equidade social. Rawls tinha a ideia de que, para termos uma sociedade mais justa, não deveríamos buscar as respostas juntamente às classes da sociedade, isto é, não irmos perguntar ao rico qual seria sua visão do estado diante à sociedade, pois seria muito provável que o aristocrata diria que cada um deveria buscar seu sucesso e ir atrás disso, já se perguntássemos aos pobres, provavelmente diriam que o estado deveria fornecer os subsídios para tal, tributando grandes fortunas e tudo mais, eis um exemplo que cito de forma livre, mas que na Teoria da Justiça era assim explicado por John Rawls.

Portanto, Rawls almeja criar um novo contrato social, mas obviamente não aos moldes dos contratualistas clássicos como Rousseau, Locke e Hobbes. Ele entende que não pode formular regrar com as pessoas que já participam de uma determinada sociedade, pois elas estão em posições sociais distintas, então é nesse momento que ele cria a ideia de “Posição originária”, onde o homem é lançado num meio onde não tem sua capacidade de localização social sendo julgada, estando ali coberto por aquilo que Rawls chamou de “Véu da Ignorância”, isto é, ele enquanto dentro da Posição Originária, não sabe quem é dentro da sociedade, tal se fosse homem, mulher, criança, preto, amarelo, branco, asiático, etc. Pois o homem não sabendo quem ele é, poderá formar regras justas e como Rawls dizia: “Justas e Universais”, que sirvam a todo mundo, parecido com o imperativo de Kant.

No Véu da Ignorância, o homem fundará dois princípios que o nortearão para a sociedade justa, segundo Rawls, o primeiro seria “igual liberdade para todos”, estando colocadas as liberdades seja quais forem, de expressão, ir e vir, comunicação e que todos possam desfrutar o máximo dessa liberdade. O ponto principal é que a liberdade do indivíduo não seja afetada e seja uma máxima, aplicada do início ao fim. O segundo princípio é fundamentado na ideia de que as “desigualdades econômicas são justas”, isto é, o fator que prevalece e que distingue um indivíduo do outro é a capacidade, pois para ele as pessoas se diferem muito na potência de realização, de criar, de fazer, existem aqueles que são bons e que se destacam, e outros que são medíocres e que não conseguem sua realização. Embora pareça uma meritocracia, não é.

Rawls define no “Princípio da Diferença” que embora aqueles mais afortunados sejam detentores de condições melhores, eles deveriam favorecer os mais pobres a terem condições e oportunidades tão quanto as suas são. Fator que para Rawls, contribuiria para diminuir a desigualdade social. Já o segundo princípio é a “Igualdade de Oportunidades”, onde fica bastante óbvio que a teoria rawlsiana entende a manifestação de vontade do indivíduo em buscar melhores condições para si, portanto a desigualdade social impede-o de conseguir tal realização, fator que a Posição Originária poderia deter tal fato.

John Rawls sempre me chamou muito o interesse, pois ele era um Filósofo Liberal, mas que fora “acusado” de sustentar um pensamento ético social e pelos mais radicais, até de ser mais esquerda ainda, se é que você me entende. Mas não sustento tal sentença, pois vejo Rawls como um liberal defensor dos direitos do indivíduo que primava a liberdade como bem maior para se chegar aos bens e direitos como valoração de uma sociedade mais justa. No prefácio de seu livro, A Teoria da Justiça, Rawls defende uma ideia social-liberal, onde diz que seus conceitos são fundamentados em Kant durante todo o processo e diz que as ideias são clássicas e bastante conhecidas. Recomendo a leitura de suas trezentas e poucas páginas, mas embora seja uma leitura densa, ela é prazerosa e reformuladora, dando mais visão particular de uma maneira para se diminuir a desigualdade social, tendo em conta o célebre homem por trás de tal ideia. Suas ideias na Teoria da Justiça são elaboradas de forma que a justiça seja mesmo aplicada, e muito embora nesta coluna não se tenha espaço para descrever tudo que por Rawls fora descrito, já podemos ter uma noção do que ele defendia e compreender que a justiça é a base para equidade da sociedade.

Gosto de escrever de uma forma que todos possam compreender, pois o papel da Filosofia não é lhe confundir as ideias, mas mostrar que para o pensamento não existem fronteiras e a acessibilidade da Filosofia é para o uso de todos, quanto mais engomado for aquele que escreve, mais seletivo será seu alcance a e beleza da escrita e o que foi imortalizado pelas grandes mentes não será espalhada aos quatro ventos. Por isso, peço a você intelectual que me lê seguidamente, não menospreze o leitor e não escreva para que sua presença seja notada, mas para que seus escritos sejam sentidos por todos que o cercam, praticamente um imperativo literário filosófico.

 

Valdir Vianna

“Pensar com alegria é envelhecer com sabedoria.”

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